Insuspeito

Ambiente e Urbanismo. E-mail: nunomarques2009@gmail.com. Também no FACEBOOK, em www.facebook.com\nunomarques2009.

28 maio 2007

"Uma prá MALA"

Em parte por acaso, derivado de quinze dias super-exigentes em termos profissionais e políticos, em parte pelo interesse que me foi sendo manifestado por variados leitores do "Insuspeito" pelo teor do último post, e que muito me fez reflectir, este blogue não é actualizado há quinze dias.
É o que é...
Enfim. Parece que há muita gente a concordar comigo quanto ao fim-de-ciclo de que falava o post "Nova geração ideológica".
Pois bem. A "MALA" é a "Mostra de Artistas de Lagos". A bienal dos artistas de Lagos, pode dizer-se, que este ano reúne obras de mais de 50 artistas locais.
Mais uma vez, a MALA põe a nú a quantidade mas sobretudo a qualidade do produto local das artes da pintura, escultura, fotografia e não só.
A MALA demonstra que em Lagos, e feita pelos de cá, há riqueza artística pelo menos tão boa como noutros sítios culturalmente capitais.
Portanto, é preciso dar projecção a tudo isto e pensar nas condições que estas e outras artes necessitam ter, nas condições que as novas gerações etárias precisam ter, para que a prata da casa possa apurar talentos e afirmar-se.
Há que dar-lhes condições.
Condições que a sociedade não conseguiu dar a muitos dos mais de cinquenta artistas que a MALA mostra.
Com os equipamentos culturais da cidade e do concelho a não bastarem para as encomendas, faz falta e sentido criar um verdadeiro Centro de Artes e Espectáculos em Lagos.
Um equipamento multifuncional onde a produção artística local, da música à pintura, da escultura à dança, do teatro ao cinema e a todas as outras formas de expressão artística possa trabalhar, ensaiar, criar, ser pedagogicamente acompanhada desde o início.
E mostrar-se, projectar-se.
Ao seu nome e, daí, ao nome do concelho.
Uma academia das artes, uma fábrica de cultura, vulgo um Centro de Artes e Espectáculos onde a política cultural é verdadeiramente virada para a conjugação da realização pessoal com a formação de públicos, o desenvolvimento local, a promoção e a atracção turística. Não somente virada para entreter...
Uma espécie de LAC da última geração.
Esse é o espaço de produção que falta, com todas as condições. Um espaço vivo de formação, mostra, divulgação e promoção do concelho, realização de eventos e intercâmbio cultural.
Aqui fica. Mais uma prá caixa da nova geração ideológica para o futuro do concelho.
Já agora, também, mais uma prá MALA.














2 Comentários:

Às 11:08 da manhã , Anonymous Padrinho disse...

Apoiado!

 
Às 5:23 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

É urgente ser contemporâneo, pluridisciplinar, transversal. Se quisermos, poder-se-á falar de uma «revitalização» do que é «tradicional»,não sendo esta necessariamente equivalente a patrimonializar ou cartografar o que é «antigo». Apostar no que é tradicional: investir e amplificar as idiossincracias histórico-culturais, artísticas, sociais, comprometidas na construção das identidades num determinado local. E lembremos que Lagos - e também os outros dois concelhos das ditas «Terras do Infante» - se inscrevem no quadro geo-político das novas diásporas.
Quais os planos, esferas ou níveis em que se processa este diálogo inter-cultural? E que possibilidades de fixação das populações oferecem Lagos, Aljezur e Sagres?

Como fomentar a produção, a circulação e recepção de bens culturais e artísticos? Sorrio perante a possibilidade de surgir em Lagos uma Fundação, uma Academia, ou um Centro de Artes e Espectáculos, que, abrigando Artes Cénicas, Artes Plásticas, Música, Vídeo e Cinema, seja mais do que um «palco». Que seja um pólo de formação, um espaço aberto a acolhimentos e a residências artísticas (locais, nacionais e internacionais), engajado na promoção de co-produções, parcerias e trocas, vocaccionado ainda para a investigação e reflexão sobre as práticas artísticas e suas relações com as comunidades.Um projecto de desenvolvimento cultural e cívico que possa dialogar ainda com áreas outras como a Arquitectura, a Ecologia, o Turismo, as Ciências.

E insisto: Terras do Infante - uma triangulação cultural e artística.

E feliz fico por em Lagos encontrar outros para quem a função da arte vai muito além do entretenimento. E para quem é vital e urgente dar início a um novo empreendimento, este de excelência cultural e artística.

Neusa Dias

 

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