Insuspeito

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25 fevereiro 2012

Credibilizar o nosso Ordenamento

Passeio marítimo da praia da Luz, Lagos.

O Diário de Notícias avançou no passado domingo com a meritória publicação de cinco números sucessivos do jornal dedicados ao estado do ambiente em Portugal. Na capa, a ilustrar a invulgar e profunda investigação jornalística, um mapa do país indicava aquilo que um conjunto de peritos -entre os quais G. Ribeiro Telles- considerou serem os «10 pontos negros do Ambiente em Portugal». Ao Algarve, e a mais nenhuma zona continental, calhou, como é costume, servir de bandeira a um desses problemas genericamente designado por «desordenamento do território».
Não vem agora ao caso se o «desordenamento» é o maior problema ambiental do Algarve ou se a região é ou não mais desordenada do que outras. Quem já teve a oportunidade de percorrer a fachada litoral oeste desde Tróia a Caminha concordará, por certo, que há algum exagero nisso. O que me parece importante é que o Algarve e os seus agentes de desenvolvimento interiorizem que o país tem essa percepção sobre o nosso território e que, para nosso bem, há que trabalhar para mudá-la.
Obviamente, estão aos olhos de todos os resultados de meio século de pressão urbanística sobre o litoral algarvio e de expansão das suas cidades mais ou menos em «mancha de óleo». Não adianta fingir que isso é fantasia.
Mas, para sermos justos, nas últimas décadas, num esforço financeiro único, foram investidos muitos milhões na requalificação urbana e das frentes ribeirinhas ou na valorização do património, ou ainda no planeamento e disciplina da ocupação territorial com resultados evidentes ao nível do controlo do crescimento desordenado, apenas para citar algumas áreas que absorveram o investimento público (e privado) em Ordenamento.
Desde Sagres a Vila Real de Santo António são, pois, muitos os exemplos de bom urbanismo. Porém, o estigma do nosso «desordenamento» persiste... E o facto de continuarmos como a única de 5 regiões continentais sem nenhum PDM revisto e com o único de 308 municípios sem PDM (há 10 anos) em nada contribui para mudar esse estado de coisas. A credibilização do nosso Ordenamento também passa por aí.

Artigo publicado n'O Algarve de 25 de Fevereiro.

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