Insuspeito

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06 março 2011

A solidariedade tem ou não tem dois sentidos?

Pela voz da senhora vice-presidente da Câmara, o PS/Lagos pediu aos autarcas eleitos pelo PSD na Câmara Municipal que fossem "solidários" para com a situação "extraordinariamente difícil que as finanças municipais atravessam" (sic).
Não, não é anedota, aconteceu mesmo. Da nossa parte, perplexos que ficámos, nem sequer conseguimos responder como se impunha, e que seria dizer: - Grande lata!
O apelo foi feito durante a última reunião do Executivo, em resposta a uma pergunta dos vereadores sociais-democratas que quiseram saber, na ocasião, quais as razões, de facto e de direito, que fundamentam a recusa dos responsáveis do PS em pagarem as senhas de presença e outros abonos a que legitimamente têm direito os deputados e vereadores municipais.
Mas, em que sentido falava, então, a senhora vice-presidente quando lamentava a incapacidade de liquidez e a (quase) falência de uma Câmara Municipal em que é segunda na hierarquia das responsabilidades políticas?
No sentido de pedir-nos desculpas sinceras por pagamentos em atraso de quase um ano? Pedir-nos desculpa, a nós mas, sobretudo, a todos os lacobrigenses que são credores de milhões da sua gestão, devido a decisões carnavalescas do passado e a algumas das contraditórias exuberâncias que persistem?
Se o dinheiro público "investido" no Autódromo de Portimão e na Caravela Boa Esperança, por exemplo, não é uma exuberância absolutamente incompreensível, então o que é? Serão isso investimentos dignos desse nome? Qual é o retorno que têm tido para Lagos e para as suas gentes essas apostas socialistas?
Quereria a senhora vice-presidente pedir-nos desculpa por, não raras vezes ao longo dos últimos dez anos, nunca se ter demarcado de outros no amesquinhamento constante e na satirização pateta da Oposição e de alguns como eu que, responsavelmente e com a razão que se comprovou termos, lhes chamavam a atenção para que não seguissem por caminhos que naturalmente dariam no que deram - na falência da Câmara Municipal de Lagos e no sério agravamento das condições de vida social e económica dos lacobrigenses?
Não. Em vez disso, a senhora vice-presidente tentou fugir à questão, desviar as atenções, tergiversar, desconversar, provocar.
Optou por recorrer a algumas generalidades estafadas -e até a impropérios- com que habituou a Câmara sempre que se trata de pronunciar-se sobre assuntos que implicam maior honestidade intelectual e respeito pelos arguentes.
Perdeu, parece-me, uma boa oportunidade para reconhecer-nos razão (se não toda, pelo menos alguma, não lhe ficaria mal) por todos os avisos que fizemos de boa-fé, ao longo de dez anos, ao seu PS e, com a humildade que se impunha a quem revela, afinal, não a ter, disponibilizar-se para aceitar mais vezes as propostas e as críticas da Oposição; até para colaborar com a Oposição nalgumas matérias específicas em que, reconhecidamente, já demos provas de estarmos melhor preparados que os eleitos pelo PS - o caso da célebre retoma do PDM é um desses.
Para quem, como eu, que acha que as pessoas de Lagos e do país estão primeiro que os interesses pessoais e partidários de alguns autarcas, penso que devia ser assim. Mas não foi.
A arrogância é prevalecente para quem acha que a solidariedade tem só um sentido.
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Foto: CML através desta hiperligação

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