Insuspeito

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10 janeiro 2011

Contas e números da Câmara Municipal de Lagos – que credibilidade?

A lucidez e a coragem da posição assumida pela direcção do PSD/Lagos na audição dos partidos políticos no âmbito da preparação do Orçamento da Câmara Municipal de Lagos para 2011 são dignas do meu reconhecimento.
Lucidez por não acreditar na fiabilidade das contas e dos números que são apresentados pela Câmara sobre a sua situação económico-financeira.
Coragem porque, para a actual liderança do PSD/Lagos, desempenhando funções profissionais ao serviço do Município, e logo na área económica e financeira, seria, por certo, muito mais cómodo optar pelo silêncio (por fingir que os números seriam fiáveis) e abster-se de tomar posições em desacordo com a posição oficial do presidente da Câmara.
Quem prima a sua conduta pela verticalidade, quem põe princípios acima de conveniências pessoais de circunstância, age como a direcção política do PSD/Lagos agiu – com seriedade, apesar do risco de retaliações pessoais e políticas.
É claro que, incomodado, logo na reunião de Câmara seguinte, o PS, recorrendo a um exercício do mais comum e desinteligente intriguismo (muito ao seu estilo, aliás), deu-se ao trabalho de provocar os vereadores eleitos pelo PSD, atirando-nos em cara uma suposta falha de comunicação ou lapso grave de entendimento entre nós e a direcção política do PSD/Lagos.
Para Júlio Barroso e António Marreiros, “o PSD/Lagos e a sua direcção não conhecia as contas da Câmara por culpa dos vereadores sociais-democratas que não lhes forneciam tais dados.” Pasme-se!
Podiam, ao menos, ter arranjado argumento menos pateta para tentar desestabilizar a boa saúde relacional que continua a existir no seio da família social-democrata de Lagos. Já o mesmo ninguém pode dizer do PS/Lagos...
Entendo perfeitamente o embaraço de Júlio Barroso e aquilo que o levou a mais essa pobre manobra de distracção. Manobra essa, aliás, repetida na sessão seguinte da Assembleia Municipal de Lagos que aprovou o Plano e Orçamento para 2011 só com os votos favoráveis do PS e de mais nenhum outro partido.
É que uma coisa é a Oposição suspeitar que os números não correspondem à realidade. Com a demagogia do costume, pode o Poder sempre dizer que “a Oposição está equivocada, não faz os trabalhos de casa, não conhece”, etc, etc…
Coisa diferente, e certamente com outro peso político, é um técnico da área económico-financeira ao serviço do Município dizer que os números e as contas que o próprio município apresenta estão enviesados, reiterando e validando desconfianças nesse âmbito que têm vindo a ser expressas pelos vereadores da Oposição.
Desconfianças tais que têm sustentado posições e alertas sobre o evidente desequilíbrio financeiro da Autarquia e da necessidade urgente da tomada das medidas apropriadas nesse sentido, as quais o PS tem vindo, irresponsavelmente, a adiar.
Júlio Barroso tem sistematicamente refutado tais necessidades apesar de, entretanto, já ter o plano de saneamento financeiro da Câmara quase pronto para apresentá-lo, brevemente, e em sede própria.
Por conseguinte, o PSD/Lagos tinha razão quando dizia que, inevitavelmente, tal acabaria por acontecer.
Por conseguinte, o PSD/Lagos tem razão para não confiar nos números que Júlio Barroso e o seu PS têm-nos vindo a apresentar. Números que tentam dizer o contrário…
A questão, agora, está em saber se as medidas preconizadas no plano de saneamento financeiro serão suficientes e adequadas a esses mesmos números “enviesados” ou se, até ao final do mandato, para fazer face ao descalabro, ainda teremos mais surpresas desagradáveis a esse propósito, as quais obrigarão a Câmara a medidas mais drásticas que essas.

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