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11 abril 2011

IC4 - PS/Lagos põe interesses partidários à frente dos interesses dos cidadãos

O Executivo PS da Câmara Municipal de Lagos pronunciou-se a favor do novo IC4 somente entre Sines e Odemira. Para o troço Odemira-Lagos o Executivo socialista alinha com a posição do governo de manter a ligação actual pela EN120, entendimento contrário àquelas que foram todas as suas posições tomadas nos órgãos autárquicos locais ao longo de mais de vinte anos de defesa unânime de uma estrada entre Sines e Lagos integralmente com as características de itinerário complementar, idêntico ao IC2 (não confundir com a A2, auto-estrada do sul) ou ao IC27 que liga Castro Marim e Beja.

Durante a discussão do assunto na Câmara Municipal, os sociais-democratas acusaram os socialistas de pensarem primeiro nos interesses partidários e não nos interesses das populações que representam e de, com isso, enfraquecerem, por mera táctica partidária, a posição de todas as autarquias que oportunamente manifestaram-se contrárias à proposta de novo traçado do IC4 apresentada a discussão pública pelo governo, independentemente da sua cor política - Sines, Santiago do Cacém, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo.

A proposta dos socialistas lacobrigenses foi votada na última reunião da Câmara Municipal e contou com os votos desfavoráveis dos dois vereadores eleitos pelo PSD. Na ocasião, os sociais-democratas declararam-se «espantados» com a posição agora assumida pelos eleitos do Partido Socialista, «contrária a todas as posições do PS e dos seus representantes nos órgãos autárquicos lacobrigenses durante mais de duas décadas de posições municipais em defesa acérrima do IC4 Sines-Lagos.»

«Por que será que o governo do PS, na prática, quer levar o IC4 somente até Odemira e não trazê-lo até Lagos como seria de justiça fazê-lo? Os cidadãos da Costa Vicentina têm menos direitos do que os do litoral alentejano, ou dos da zona central do Algarve (IC1), ou dos da margem portuguesa do rio Guadiana (IC27)?», questionaram, com indignação, os autarcas sociais-democratas.

Os vereadores sociais-democratas reiteraram ainda os argumentos do PSD/Algarve sobre a proposta de IC4 defendida pelo governo, a qual "faz autêntica ‘tábua-rasa’ do PROTAL-Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve, aprovado pelo governo PS há quase quatro anos atrás.

Para a ligação norte-sul, entre Sines e Lagos, o PROTAL prevê a construção de uma via integralmente com as características de IC, em substituição da actual EN120, e não uma via como a ora preconizada, metade IC, metade estrada nacional.

A concretizar-se, o investimento no novo IC4 poderá custar aos contribuintes cerca de 262 milhões de euros, apenas 3,5% abaixo do valor estimado para a construção da via em perfil integral de IC, facto que acentua ainda mais a nossa perplexidade perante a proposta do governo e a decisão da Câmara Municipal de Lagos, porquanto trata-se de uma opção fundamentalmente política e não técnica ou financeira.

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